É a estação dos balanços,
renúncias e decisões.
Tudo parece o que é.
A face opaca do mundo
nos encara, fria e cega.
É necessário enfrentá-la
como se escala uma pedra.
É preciso penetrá-la
como se houvesse um lá-dentro.
Frutas hesitam nos galhos
entre despencar de podres
e sacrificar-se aos pássaros.
As feras em suas tocas
mordem as próprias feridas
gestando o próximo bote.
Os utensílios mais díspares -
colher, caneta, revólver -
se oferecem prestimosos
à mão que ousar primeiro.
O mundo retesa os músculos
e prende a respiração.
É a estação dos remates,
dos fechos prenunciados
e palavras sem retorno.
Todo o tempo agora é pouco.
(P.H.B)
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
É isto que me cabe.
Dentro disso é necessário caber
até que tudo se acabe.
Mas há nisso uma espécie de prazer,
uma volúpia esguia,
impalpável, difícil de dizer,
feito uma melodia
que se escutou e depois esqueceu,
porém retorna um dia,
inconfundível: sim, este sou eu,
e eis aqui o meu palácio
que construí, e agora é todo meu:
um só andar, um passo
de frente e um de fundo. É um bom espaço.
Dentro disso é necessário caber
até que tudo se acabe.
Mas há nisso uma espécie de prazer,
uma volúpia esguia,
impalpável, difícil de dizer,
feito uma melodia
que se escutou e depois esqueceu,
porém retorna um dia,
inconfundível: sim, este sou eu,
e eis aqui o meu palácio
que construí, e agora é todo meu:
um só andar, um passo
de frente e um de fundo. É um bom espaço.
Assinar:
Comentários (Atom)
