sexta-feira, 27 de maio de 2011

Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo...um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou?Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

(Florbela Espanca)

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara."

(Eduardo Galeano)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 16 de maio de 2011


“Quando te encontrei, havia muitas estrelas sobre a noite; um vento fino ia dançando de árvore em árvore ; e o luar sobrepunha pelos caminhos brancos tapetes silenciosos.

Vi nos teus olhos mais estrelas que na noite; teu pensamento se movia para mais longe que o vento; sua boca sabia calar com mistério maior que o da lua.

O tempo foi virando as folhas dos dias e das noites: achei tua lembrança em todas elas. Por quê? Se eu não te falei! Por quê? Se não me conheces!

Criatura luminosa! Meus olhos fecham-se e abrem-se milhares de vezes entre a manhã e a noite; mas sobre os meus cílios frágeis vive sem hesitações o grande sonho contínuo em que tu moras.

Conforme a sorte que se formou para mim, lá me vou pelo meio da solidão, como a lua andando no céu.

Vêm das coisas caladas estas palavras que escuto? Ou estou falando sem querer, e isto tudo sou eu? Pensei que fosse a água que dizia: “Por que me oprimes com o teu perfume, ó flor?”

Falei comigo mesmo, esta tarde, vendo as serpentes brancas da espuma rolando por cima do mar.

Perguntei: “Se ela hoje me aparecesse, com que palavra a receberia?” Por entre as lembranças, por entre os sonhos, por entre as tristezas, meu coração ficou repetindo grandiosamente: “Eu fecharia os teus olhos, para a não veres tão de perto. Eu fecharia os teus lábios, para que florescesse apenas silêncio, em torno da sua serena graça.”.

Por aquele caminho em que te vi, havia passado muita gente antes e continuou a passar muita gente depois. Só tu me deste emoção.”

domingo, 15 de maio de 2011

"Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira... a minha ganância por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos."
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 10 de maio de 2011

Meu coração está sereno hoje, e as angústias de sempre foram substituídas pela calma e pela alegria; a vi num sonho, durante a noite.

A mesma face generosa, os seus lindos olhos que pareciam queimar a quem o encarava de frente, um lindo sorriso irradiante e a presença forte de seu espírito, dominando tudo com paz.

Talvez um afastamento seja benéfico; as coisas grandes só podem ser vistas à distância.

Eu preciso deixar que aconteçam as coisas que precisam acontecer, então é necessário estar aberto para o inesperado.

Eu sou diferente a cada dia que passa e, quando tiver oitenta anos, espero ainda estar experimentando mudanças internas e externas.

Se chegar a esta idade, não vou ficar pensando nas coisas que já fiz, porque quero usar cada porção de vida que ainda resta.

Não posso planejar nada de importante, só pequenas coisas. Quem planeja o que é importante, transforma tudo em pequenas coisas.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez uma samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente."

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"...é sobre a espera. Duas pessoas se encontram. Eles quase se apaixonam, mas não é a hora certa. Eles precisam se separar. E depois, anos depois, eles se reencontram. Eles têm outra chance. Mas eles não sabem se tempo demais se passou. Se eles esperaram demais, e se agora é tarde demais para dar certo."