“Quando te encontrei, havia muitas estrelas sobre a noite; um vento fino ia dançando de árvore em árvore ; e o luar sobrepunha pelos caminhos brancos tapetes silenciosos.
Vi nos teus olhos mais estrelas que na noite; teu pensamento se movia para mais longe que o vento; sua boca sabia calar com mistério maior que o da lua.
O tempo foi virando as folhas dos dias e das noites: achei tua lembrança em todas elas. Por quê? Se eu não te falei! Por quê? Se não me conheces!
Criatura luminosa! Meus olhos fecham-se e abrem-se milhares de vezes entre a manhã e a noite; mas sobre os meus cílios frágeis vive sem hesitações o grande sonho contínuo em que tu moras.
Conforme a sorte que se formou para mim, lá me vou pelo meio da solidão, como a lua andando no céu.
Vêm das coisas caladas estas palavras que escuto? Ou estou falando sem querer, e isto tudo sou eu? Pensei que fosse a água que dizia: “Por que me oprimes com o teu perfume, ó flor?”
Falei comigo mesmo, esta tarde, vendo as serpentes brancas da espuma rolando por cima do mar.
Perguntei: “Se ela hoje me aparecesse, com que palavra a receberia?” Por entre as lembranças, por entre os sonhos, por entre as tristezas, meu coração ficou repetindo grandiosamente: “Eu fecharia os teus olhos, para a não veres tão de perto. Eu fecharia os teus lábios, para que florescesse apenas silêncio, em torno da sua serena graça.”.
Por aquele caminho em que te vi, havia passado muita gente antes e continuou a passar muita gente depois. Só tu me deste emoção.”

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