É a estação dos balanços,
renúncias e decisões.
Tudo parece o que é.
A face opaca do mundo
nos encara, fria e cega.
É necessário enfrentá-la
como se escala uma pedra.
É preciso penetrá-la
como se houvesse um lá-dentro.
Frutas hesitam nos galhos
entre despencar de podres
e sacrificar-se aos pássaros.
As feras em suas tocas
mordem as próprias feridas
gestando o próximo bote.
Os utensílios mais díspares -
colher, caneta, revólver -
se oferecem prestimosos
à mão que ousar primeiro.
O mundo retesa os músculos
e prende a respiração.
É a estação dos remates,
dos fechos prenunciados
e palavras sem retorno.
Todo o tempo agora é pouco.
(P.H.B)
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário